sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Todo aqui...






Todo aqui...

Sinto você 
todo aqui...
Inteiro
Nu...

...Suas mãos quentes
Teu corpo sobre o meu...

Sua voz grossa
poetiza versos
canta...
Tua boca
palmilha meus caminhos
desfolha a flor.

Van Albuquerque


Desejo






Desejo

Na madrugada
tu és o poema
que me acorda
e se esparrama 
entre as dobras
dos lençóis...

Van Albuquerque

Silêncio





Silêncio

Minhas mãos 
em concha
bebem da sua voz...
Respiram em silêncio.
Minha boca
tonta de amor
anda pelos cantos
nus das estrofes
acarinhando seus versos.

Van Albuquerque

Vitral






Vitral

Sem ti meu dia
é mudo de sol...

Minha noite
é de luar aos cacos
repleta de estrelas...


Pequenos pedaços 
de nós no céu
refletem lembranças
arranham seu silêncio
dentro dos olhos meus.

Van Albuquerque

Lendo-me






Lendo-me...

Noite passada
tu pernoitaste
em meus segredos...
Suas mãos rodaram
as pás gastas do moinho
O vento frio ardeu
virou folhas
segregou as areias
do tempo...

Noite adentro
sua voz leu
os vazios da minha poesia

Van Albuquerque

Solidão





Solidão

Olhar raso
deságua o rio...
Debrua o tempo.
Fio a fio
borda sua ausência.

Van Albuquerque

Tua poesia





Tua poesia

Em tuas mãos
uma gota
de palavra guardada
multiplica-se em versos
escreve amor.

Van Albuquerque

Tu





Tu

Nos assoalhos 
das linhas nervuradas
do pálido papiro
o destino espreita 
as palavras...
Escreve-te minha poesia.

Van Albuquerque

Canções





Canções

Tua língua
fala a fome...
Saliva
Sorve atalhos
Molha sulcos
Afaga...
Dedilha canções.

Van Albuquerque

Ofegante





Ofegante

Em tua boca
meu beijo ofega febril...

Num fio de voz
sussurra o verbo
recita o poema.

Van Albuquerque

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Calei-me






Calei-me

Tua ausência 
encharca minha alma
e seca o cântaro 
das palavras todas

Um deserto árido 
de salivas e aromas
engasga-me...
Rasga minha pele
e o verso sangra
no eco do teu silêncio 

Sedenta 
a poesia fenece
dentro de mim.

Van  Albuquerque

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Ausência






Ausência

Em cada fresta
dos meus olhos 
o silêncio soluça...
Oscila
Tomba nu.

Van Albuquerque

Lume




Lume

Na penumbra
tuas mãos sôfregas
palmilham sulcos
roçam vãos ...

Lume aceso
sem pontos 
vírgulas
reticências...
Em brasa arde 
escorre macio
e o verso lateja febril...

Tuas carícias
Palavras todas
inconfessáveis pétalas
florescem roucas de vontades 
e misturam-se ao sal 
da minha pele 

O desejo umedece
Despe
Veste de malícia
cada poro nu...

Van Albuquerque

Amor





Amor

Tu ainda vives
dentro de cada
verso meu

Van Albuquerque

sábado, 5 de janeiro de 2013

Uma história de amor





Uma história de amor

Nos amamos
aos olhos do luar
ouvindo o marulhar
 suave das ondas...
Quando o dia nascer
o mar terá
mais uma história
de amor para contar

Van Albuquerque

Olhar de aquarela





Olhar de aquarela

Teu olhar
furta o mundo
e pousa um arco-íris
dentro do meu coração

Olhar de aquarela
furta-cor
dos olhos meus

Van Albuquerque

Versomar




Versomar

Te amar um versomar
escrito e solto no ar...

Minha voz 
silencia o céu
acende o sol e canta
sublime canção...

Minha alma de longe
sonda seu olhar
seus sonhos e caminha
um mar inteiro
para te amar

Van Albuquerque


Vai passar...





Vai passar...

Olhar nublado
carregado de lembranças...
De longe uma voz
sussurra baixinho...
Nada é para sempre
essa dor
um dia vai passar...

Van Albuquerque

Perspicaz




Perspicaz

Pelas ruelas escondidas
dos meus sentimentos
seu amor foi perspicaz
seguiu desvios
inventou caminhos
encontrou meu coração
e fez o sol
brilhar mais cedo

Van Albuquerque

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Seara ardente



Seara ardente

Seu corpo é terreno fértil
onde realizo meus desejos
Uma seara ardendo 
nas entrelinhas e rimas
de cada verso meu

Van Albuquerque

Insaciável





Insaciável

Desejo urge
os lábios sorriem
e a noite intensa
se alarga
na nossa cama
Sua boca
toma meu corpo
se embrenha
nas curvas
macias de veludo
Insaciável lê
até minhas reticências

Van Albuquerque

Na penumbra...




Na penumbra...

Em silêncio
o desejo ceifa as horas
tateia no escuro
Na penumbra
traz seu corpo
para a ponta porosa
dos meus dedos
Em instantes
revivo a plenitude
de cada segundo
vivido com você

Van Albuquerque

Responda...





Responda...

Meu coração não se cansa
minha alma tomada de agonia
não se cala...
A pergunta grita
insistente dentro de mim ...
O que seria da minha vida
se você não existisse
para dar razão ao meu viver...
Por que?
Para que eu existiria
nesse mundo sem você?

Van Albuquerque

Sonho maior





Sonho maior

Em seus braços
quero viver
e o sonho maior
dos poetas realizar...
Ser amada
amar

Van Albuquerque

Sabor de vida





Sabor de vida


Hoje tua boca 
amanheceu nua
afagando as bordas 
dos meus lábios...
Fechei os olhos e senti
teu sabor morno
adocicado de vida

Van Albuquerque

Ainda sinto...






Ainda sinto...

Nos sulcos profundos
da minha boca
guardei o fogo tecido
e o sabor vermelho e quente
do nosso ultimo beijo...
Ainda sinto o calor
dos seus lábios
roçando os meus
devorando minha boca
arrepiando meus poros
aquecendo meus desejos

Van Albuquerque

Colo de amor





Colo de amor


Se deixe ficar
em meu peito...
Faz um ninho
e agasalhe seu corpo
no sol quente do meu
Faz de mim
teu colo de amor

Van Albuquerque

Teu silêncio





Teu silêncio

Hoje acordei
com os olhos marejados
A voz rouca
engasgada na garganta...
O dia para mim
nasceu sem cor
orvalhando meus lábios
com teu silêncio

Van Albuquerque

Florescer do prazer...





Florescer do prazer...


Tua boca macia
por meu corpo
avança febril
Malicioso tu afagas
meus desejos

Tua língua
muda a textura
a cor e o gosto
das palavras

Nos entremeios
da minha pele
silencias frestas
escreves poesia

A umidade do prazer
sedoso cetim
morna floresce
dentro de mim


Van Albuquerque

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Canto de saudade





Canto de saudade

Um canto
dolorido de saudades
roça meus lábios
A melodia sem tom
caminha na minha pele
Desnudo ecoa
machuca o corpo...
Dói dentro da alma

Van Albuquerque

Néctar






Néctar

Quero degustar
seu corpo...
Da sua boca
quero beber
o néctar
saboroso do amor

Van Albuquerque

Sonho






Sonho

Ontem o sol
brilhava no céu
e o sonho tão grande
dormia na palma da mão
Hoje o céu nublou
o sonho acordou
Caiu no chão...

Van Albuquerque

Sem aviso





Sem aviso

Saudade chega
sem avisar...
Desfolha folhas
despetala flores
empalidece o dia...
Faz outono
dentro do coração

Van Albuquerque

Volúpia






Volúpia

Tua boca
sussurra carinhos
Teus lábios
gotejam desejos
na volúpia ofegante
do corpo meu

Van Albuquerque

Gota orvalhada





Gota orvalhada

Uma gota
translúcida suspira
Orvalhada tomba...
Borra a face
com saudades...

Van Albuquerque

Aromatizando



Aromatizando

Umedeço meus lábios
Roço os teus...
Colho em sua boca
um beijo...

Tuas mãos quentes
feito a manhã
em flor desabrocham
afagam meu corpo
aromatizam minha pele
com teus desejos

Van Albuquerque